A mostra “Contos sem Reis” de Laercio Redondo na Casa França-Brasil levou ao seminário ocorrido dia 20 de abril de 2013 sobre as transformações urbanas no Rio de Janeiro nos séculos XIX-XX. A proposta do seminário, dividido em duas mesas (Ontem e Hoje), era de traçar o contexto urbano, cultural, social e arquitetônico da cidade ao longo desse tempo.

A exposição, aliada ao seminário como suporte de discussão para o assunto, resgata  – ou como a estrutura de madeira no centro da Casa diz, “revolve” – mesmo a história do prédio da Casa França-Brasil e sua importância como emblema dentro da cidade.

Nesta exposição, Laercio revolve a terra da memória e nos apresenta um questionamento em forma de palavras, imagens e ideias. Expõe as vísceras do edifício que desde 1989 é a sede da Casa França-Brasil, deixando à mostra os fluxos subterrâneos da cidade para o público e instalando em sua grande sala principal a palavra-escultura Revolver como representação de todas as ideias que circulam pela exposição” (Frederico Coelho, curador)

O Rio de Janeiro, como qualquer cidade, passa por diversas transformações urbanísticas e paisagísticas, tanto para o mal quanto para o bem. O que foi importante ressaltar neste seminário é que essas transformações na maioria das vezes não são acompanhadas de diálogos e por isso a cidade sofre e vem sofrendo tais transformações que de uma forma ou de outra, violentam a paisagem natural da cidade. Como disse Ana Luiza Nobre, professora doutora de Arquitetura da PUC Rio : “A violência é muito grande a cada abertura de um túnel, a fadiga é muito grande…”. Cada rua, cada camada do passado que é coberta por uma camada do presente, um passado que se destrói. O pior, a concertação, a discussão, o planejamento com certeza não são a pauta do dia. O importante é fazer rápido para cumprir os prazos para a Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

O que resta, é a nostalgia de uma cidade escondida na sua própria história, no seu passado arqueológico. Pisamos em um chão arraigado dessa violência contra o passado.

Laercio Redondo na Casa França Brasil Carmen Miranda

Instalações simbolizando Carmen Miranda para além dos clichês…

Nestas imagens, o artista interroga o processo de construção de uma identidade nacional através de imagens simbólicas de Debret e de personagens como Carmen Miranda (abaixo).

Debret

 

Imagens de escravos no Brasil Colonial, no verso, imagens de vendedores ambulantes nas praias do Rio de Janeiro hoje em dia.

Uma mostra lindíssima e ao meu ver paralela à de Laercio Redondo, aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio, ao lado da Casa França-Brasil. “Um olhar sobre o Brasil – a fotografia na construção da imagem da Nação”, com curadoria de Boris Kossoy e Lilia Moritz Schwarcz, serve como um complemento desta busca arqueológica, de uma outra forma, trazendo signos (no sentido linguístico da palavra) : uma exposição de fotos marcantes seleciona cerca de 350 imagens abrangendo 170 anos de história do Brasil.

Dzi Croquettes

Dzi Croquettes, na mostra fotográfica

O problema que os curadores encontraram? Selecionar estas fotos…no meio de tantas outras e não reduzir a história de um país tão grande em imagens fixas no tempo e na parede. Na minha opinião, escolhas bem sucedidas.

A reflexão aqui fica; continuamos a viver sob estas camadas arqueológicas, mas onde isto nos levará ? De uma coisa, todos no seminário estavam certos: o questionamento sobre estas transformações e outras que virão não pode desaparecer.

Para os nostálgicos do Rio de outrora : O Rio de Janeiro que não vivi

Créditos das fotos : Casa França-BrasilArt RefArtRio, Instituto Moreira Salles

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